Vontade de amar

Olhava pra baixo. Via em suas unhas, seu esmalte preto descascado. Via em sua colcha de retalhos suas mãos deslizando suavemente, como se estivesses tateando, a procura de algo. Ao levantar, continuava a olhar pra baixo. Olhou para seus tênis caídos no chão, viu o tapete roxo e torto, com as pontas dobradas. Quando chegou a janela, simplesmente se debruçou ali em cima, no parapeito. Olhava o sol quente batendo no lago, no telhado, nas árvores. O olhar dela procurava algo. Dava voltas, passava por cada objeto, cada local que era iluminado pelo sol. Esticou sua mão para sentir um pouco do calor, como se não fosse suficiente o que já estava dentro do quarto. Ela queria tanto sentir. Por muito tempo, sentir era a última coisa na lista dela. Agora, era como se esses sentimentos estivessem se juntando por todo esse tempo e tivessem explodido naquele momento, sem mais nem menos. Não, não era desilusão amorosa. Muito menos algum cara que ela amava e não tinha coragem de chamar pra sair. Era vontade de sentir. Vontade de amar. Vontade de se apegar a algo. Só não sabia o que era esse “algo”. Mas a maior vontade dela nesse momento era, com certeza, descobrir. E era isso que tanto apertava no peito.

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